A Saga da Sandália: Por que Deus não vai criar a conta do Google da sua empresa
Uma lição real sobre fé, negócios e o perigo de ser uma "Loja Fantasma" no seu próprio bairro.
O cliente está com o dinheiro na mão procurando por você,
mas sua loja decidiu brincar de esconde-esconde digital.
Aconteceu comigo recentemente, aqui no Jardim Novo Mundo, em
Goiânia. O cenário era de "crise doméstica": minha filha tinha a
formatura do Jardim 2 — um evento monumental para qualquer pai — e precisávamos
urgentemente de uma sandália nova para ela.
Eu fiz o que 99% das pessoas fazem em 2025. Não fui para a
janela olhar a rua; peguei o celular e digitei no Google: "Loja de
calçados infantis perto de mim".
O resultado? Um deserto.
O mapa me mostrava lojas no Centro, em Campinas, em outros
bairros fora de mão. Ali, no meu raio de ação, a tela dizia que não existia
nada. A frustração bateu. Eu estava pronto para gastar, mas a internet me dizia
que ninguém queria vender.
Quase desisti. A lógica moderna dizia: "pegue o carro e
vá longe ou compre online e reze para chegar". Mas, como sou teimoso (e
estava com pressa), decidi desafiar o algoritmo. Saí andando a pé pelo bairro,
no sol quente.
Parei em uma sapataria de conserto — daquelas antigas, que
não vendem sapatos novos, apenas salvam os velhos. Perguntei ao sapateiro se
ele sabia de algum lugar. Ele me olhou como se fosse óbvio e apontou o dedo
para o alto da rua:
— "Moço, sobe ali que tem uma loja lá."
Eu subi. E para minha surpresa, o Google não tinha errado
por pouco. Ele tinha errado feio. Não havia apenas uma loja. Havia DUAS
lojas de calçados, uma quase ao lado da outra, com vitrines cheias e portas
abertas.
Entrei na primeira. Ambiente climatizado, cheiro de sapato
novo. Encontrei exatamente a sandália que minha filha precisava. O atendimento
foi impecável; o dono, um rapaz super gente boa, me tratou com toda a atenção
do mundo.
Enquanto eu passava o cartão para pagar, meus olhos caíram
sobre o balcão. Havia uma Bíblia aberta, bem posicionada. Ficou claro para mim
que aquele comerciante era um homem de fé. Provavelmente, ele abre a loja todos
os dias, faz uma oração e pede: "Senhor, abençoa meu negócio, traga
clientes para minha loja hoje".
E foi aí que a ironia da situação bateu na minha cabeça como
um martelo.
Eu saí de lá com a sandália na sacola, mas com um pensamento
trágico e engraçado ao mesmo tempo.
Aquele empresário ora todo dia pedindo vendas. E a resposta
da oração dele (eu, o cliente com dinheiro na mão) estava a duas ruas de
distância, procurando desesperadamente pelo produto dele.
Só que havia um muro invisível entre nós: ele não estava no
mapa.
Eu pensei: "Meu amigo, Deus pode abençoar seu
estoque, sua saúde e sua família. Mas Deus não vai descer do céu, pegar um
smartphone, criar um Gmail e cadastrar o Perfil da sua Empresa no Google!".
Se eu não tivesse a sorte — ou a teimosia — de perguntar
para um vizinho sapateiro, ele teria perdido a venda. Eu teria entrado no carro
e dado meu dinheiro para um concorrente de outro bairro que teve o trabalho de
se cadastrar na internet.
Você parou para pensar em quantos "Eus" passaram
pela rua de baixo, pesquisaram no celular, não acharam nada e foram embora?
Isso é o que eu chamo de "Loja Fantasma".
Fisicamente, você existe: paga aluguel, paga luz, limpa o
chão, compra estoque. Mas digitalmente, para o cliente moderno, você é
invisível.
O dono daquela loja está perdendo dinheiro todos os dias,
não porque o produto é ruim ou o preço é alto, mas porque ele decidiu se
esconder de quem está procurando por ele. Ele está jogando no modo
"Hard" sem necessidade.
Aqui vai o alerta para você que tem um negócio, seja uma
loja de sapatos, uma oficina ou uma padaria:
O Perfil da Empresa no Google (antigo Google Meu Negócio) é
DE GRAÇA.
Não custa um centavo. Leva 10 minutos para fazer.
O movimento está fraco? As vendas caíram? Antes de culpar a
economia ou pedir um milagre, pergunte-se: eu fiz o básico? Ajudar a sorte e a
bênção faz parte do trabalho.
Não seja uma Loja Fantasma. Se o cliente não te acha na tela
do celular, para ele, você não existe.

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